segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Criando Magia



O livro "Criando Magia" de Lee Cockrell, usualmente, não faz parte da lista de indicações de leitura por pedagogos e especialista em educação. Este livro está diretamente ligado à área da Administração de Empresas e Gestão de Pessoas. Entretanto, tenho a ousadia de indicá-lo para todos os educadores envolvidos em melhorar a qualidade do processo educativo nas escolas e organizações sociais.
Em "Criando Magia", Lee Cockrell conta sua trajetória como vice-presidente responsável pelas operações do Walt Disney World Resort. Ele revela as estratégias que utilizou e que contribuiu para que a Disney Resorts se tornasse uma das grandes referências mundiais em qualidade de atendimento.
 Acredito que todos os professores precisam desenvolver liderança e capacidade de gerenciamento. Além disso, penso que os gestores na escola devem procurar conhecer mais sobre a área da administração, assim poderão potencializar seus conhecimentos específicos em educação, através das ferramentas de gestão, para atingirem seus objetivos e melhorarem a qualidade do seu trabalho.

A partir dessa IDEIA, fiz uma releitura das estratégias propostas por Lee Cockrell, pensando no contexto escolar e na minha práxis como coordenadora pedagógica.

As 10 estratégias Disney como agente de mudança no contexto escolar:
Estratégia 1: Lembre-se que todos são importantes;
Todas as pessoas querem se sentir valor, considere o outro, seus sentimentos e pontos de vista. Uma equipe  de professores motivada e acolhida tem grandes chances de tornarem a sala de aula mais interessante e rica.

Estratégia 2: Quebre o molde;
Nada de planejar no primeiro ano de carreira docente e repetir outras duas décadas. Pesquise, invente, produza conhecimento e incentive seus alunos a deslumbrarem diferentes horizontes e perspectivas.

Estratégia 3: Faça da sua equipe sua marca registrada;
Gestores: conversem com a equipe de professores e busquem juntos soluções para o conflituoso cotidiano escolar. Professores: conversem com seus alunos e trilhe com eles uma caminhada de sucesso na construção do conhecimento.

Estratégia 4: Crie magia por meio da capacitação;
Nada de fiscais do ensino, nada de vigiar e punir ou de reuniões, meramente, informativas. Invista esforços em estudar, em conhecer sobre desenvolvimento humano e em reflexões sobre a própria prática. Pesquise, estude, FORME-SE! Construam o Projeto Político Pedagógico da instituição e tenham uma prática coerente com os princípios elencados na missão e visão do mundo que a equipe escolar construiu.

Estratégia 5: Elimine inconvenientes;
Não tenha uma postura defensiva, TODOS podem contribuir para a melhoria da qualidade de ensino, mesmo aqueles com críticas duras, ferrenhas e dificeis de escutar. Não entre em embates de egos, ouça e aproveite para questionar seu próprio ponto de vista. Procure respeitar o "tempo" de cada um, espere um momento em que todos estejam calmos para resolver um problema que seja grande demais.

Estratégia 6: Saiba a verdade;
Procure saber o que cada sujeito da comunidade escolar pensa e sugere para a sua escola. Ouça os elogios mas, também, as críticas. Procure melhorar e investir esforços, de verdade, na solução dos pontos críticos levantados. Para isso, construa confiança. Quando temos em que confiar e pedir ajuda não precisamos omitir informações e estabelecer relações superficiais. Podemos discutir os problemas, pouco preocupados em achar um culpado, focamos na solução e buscamos um caminho melhor.


Estratégia 7: Use combustível grátis: admiração, reconhecimento e encorajamento
Respeito é diferente de medo. Pense nisso! 
Todos precisamos de "feedbacks" sobre condutas que precisam melhorar, mas principalmente, retornos positivos para termos a certeza de que estamos no caminho certo. Por isso, descreva as ações que obtiveram sucesso, apontando os pontos fortes e valorizando as pessoas que a conduziram. 


Estratégia 8: Mantenha-se na dianteira;
Fique antenado com o mundo. Saiba o que está acontecendo no universo de seus alunos ou equipe e seja um mediador para ampliar os horizontes do grupo. Renove seus conhecimentos e aprenda com os outros.


Estratégia 9: Cuidado com aquilo que diz e faz;
Seja positivo, crie e fortaleça relações equilibradas e nada tensas. Pessoas que se sentem valorizadas e importantes estão mais disponíveis para o novo, para a colaboração e para a cooperação. Não esqueça que o que os professores/gestores dizem é muito legitimado pelas crianças ou pelo grupo, utilize as palavras como ferramenta de trabalho e como promoção das potencialidades humanas.


Estratégia 10: Desenvolva caráter
Procure ser a pessoa que você quer formar. Nossas ações e palavras são a mais potente ferramenta educativa. Seja o exemplo!


Vale ressaltar que não se trata de um releitura alienada que condiz com os preceitos capitalistas, baseados no lucro, na exploração do trabalho e no consumismo. Trata-se de aproveitar estratégias e ferramentas de um modelo de gestão para ser aplicado, a partir de um olhar crítico, em uma prática educativa que visa a transformação de realidades. A ideia é buscar a qualidade de gestão para o contexto escolar.

Espero que gostem desta IDEIA!

P.S: Votem no Ideias Pedagógicas para o Prêmio TOPBLOG2012! Basta clicar no selo do Prêmio na página do Ideias e votar. Obrigada =]

Você é especial - Max Lucado

Olá Pessoal!

Puxa, fiquei um bom tempinho sem postar aqui, não é?

Hoje vim trazer um vídeo muito bonito que assisti em uma aula do meu curso de pós-graduação "Relações Interpessoais na escola e a construção da autonomia moral" (Recomendo!).

Foi uma professora muito especial que indicou: a Mariana!

Penso que este vídeo pode nos fazer refletir sobre nosso importante papel na vida dos alunos.




No final do vídeo há uma mensagem de cunho religioso que pode ser desconsiderada por quem assim desejar.

O vídeo foi produzido a partir do livro "Você é especial" escrito por Max Lucado e ilustrado por Sérgio Martinez.

O texto na íntegra você encontra aqui: Blog Transmissores da Alegria

Você pode comprar o livro neste link: Editora Hagnos

Um abraço

Pati Ottoni

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Quando a escola é de vidro...



Naquele tempo eu até que achava natural que as coisas fossem daquele jeito. Eu nem desconfiava que existissem lugares muito diferentes... Eu ia para a escola todos os dias de manhã e quando chegava, logo, logo, eu tinha que me meter no vidro.É, no vidro!

Cada menino ou menina tinha um vidro e o vidro não dependia do tamanho de cada um, não! O vidro dependia da classe em que a gente estudava. Se você estava no primeiro ano ganhava um vidro de um tamanho. Se você fosse do segundo ano seu vidro era um pouquinho maior. E assim, os vidros iam crescendo à medida que você ia passando de ano. Se não passasse de ano, era um horror.Você tinha que usar o mesmo vidro do ano passado!!! Coubesse ou não coubesse. Aliás nunca ninguém se preocupou em saber se a gente cabia nos vidros.


E pra falar a verdade, ninguém cabia direito.Uns eram muito gordos, outros eram muito grandes, uns eram pequenos e ficavam afundados no vidro, nem assim era confortável.
Os muitos altos de repente se esticavam e as tampas dos vidros saltavam longe, às vezes até batiam no professor.Ele ficava louco da vida e atarraxava a tampa com força, que era pra não sair mais.


A gente não escutava direito o que os professores diziam, os professores não entendiam o que a gente falava...


As meninas ganhavam uns vidros menores que os meninos. Ninguém queria saber se elas estavam crescendo depressa, se não cabiam nos vidros, se respiravam direito...


A gente só podia respirar direito na hora do recreio ou na aula de educação física. Mas aí a gente já estava desesperado, de tanto ficar preso e começava a correr, a gritar, a bater uns nos outros. As meninas, coitadas, nem tiravam os vidros no recreio.E na aula de Educação Física elas ficavam atrapalhadas, não estavam acostumadas a ficarem livres, não tinham jeito nenhum para Educação Física.


Dizem, nem sei se é verdade, que muitas meninas usavam vidros até em casa. E alguns meninos também. Estes eram os mais tristes de todos. Nunca sabiam inventar brincadeiras, não davam risada á toa, uma tristeza!


Se a gente reclamava? Alguns reclamavam. Então os grandes diziam que sempre tinha sido assim; ia ser assim o resto da vida. A minha professora dizia que ela sempre tinha usado vidro, até para dormir, por isso é que ela tinha boa postura.


Uma vez um colega meu disse pra professora que existem lugares onde as escolas não usam vidro nenhum, e as crianças podem crescer á vontade. Então a professora respondeu que era mentira.Que isso era conversa de comunistas.Ou até coisa pior...


Tinha menino que tinha até que sair da escola porque não havia jeito de se acomodar nos vidros.E tinha uns que mesmo quando saiam dos vidros ficavam do mesmo jeitinho, meio encolhidos, como se estivessem tão acostumados que estranhavam sair dos vidros.
Mas uma vez veio para a minha escola um menino, que parece que era favelado, carente, essas coisas que as pessoas dizem pra não dizer que era pobre.


Ai não tinha vidro pra botar esse menino. Então os professores acharam que não fazia mal não, já que ele não pagava a escola mesmo... Então o Firuli, ele se chamava Firuli, começou a assistir as aulas sem estar dentro do vidro.


Engraçado é que o Firuli desenhava melhor que qualquer um, o Firuli respondia perguntas mais depressa que os outros, o Firuli era muito mais engraçado... Os professores não gostavam nada disso...Afinal, o Firuli podia ser um mau exemplo pra nós...

Nós morríamos de inveja dele, que ficava no bem-bom, de perna esticada, quando queria ele espreguiçava, e até meio que gozava a cara da gente que vivia preso. Então um dia um menino da minha classe falou que também não ia entrar no vidro.Dona Demência ficou furiosa, deu um coque nele e ele acabou tendo que se meter no vidro, como qualquer um.


Mas no dia seguinte duas meninas resolveram que não iam entrar no vidro também:
_Se Firuli pode por que é que nós não podemos?


Mas dona Demência não era sopa.Deu um croque em cada uma, e lá se foram elas, cada uma pro seu vidro... Já no outro dia a coisa tinha engrossado. 
Já tinha oito meninos que não queriam saber de entrar nos vidros.

Dona Demência perdeu a paciência e mandou chamar seu Hermenegildo que era o diretor lá da escola. Hermenegildo chegou muito desconfiado: Aposto que essa rebelião foi fomentada pelo Firuli.È um perigo esse tipo de gente aqui na escola.Um perigo! A gente não sabia o que queria dizer fomentada, mas entendeu muito bem que ele estava falando mal do Firuli.
Seu Hermenegildo não conversou mais.Começou pegar os meninos um por um e enfiar á força dentro dos vidros.


Mas nós estávamos loucos para sair também, e para cada um que ele conseguia enfiar dentro do vidro, já tinha dois fora. E todo mundo começou a correr do seu Hermenegildo, que era para ele não pegar a gente, e na correria começamos a derrubar os vidros. E quebramos um vidro, depois quebramos outro e outro mais e dona Demência já estava na janela gritando:
_SOCORRO! VÂNDALOS! BÁRBAROS! 
(Pra ela bárbaro era xingação). Chamem os Bombeiros, o Exército da Salvação, a Polícia Feminina...

Os professores das outras classes mandaram cada um, um aluno para ver o que estava acontecendo. E quando os alunos voltaram e contaram a farra que estava na 6ª série todo mundo ficou assanhado e começou a sair dos vidros. Na pressa de sair começaram a esbarrar uns nos outros e os vidros começaram a cair e a quebrar.


Foi um custo botar ordem na escola e o diretor achou melhor mandar todo mundo pra casa, que era pra pensar num castigo bem grande, pro dia seguinte. Então eles descobriram que a maior parte dos vidros estava quebrada e que ia ficar muito caro comprar aquela vidraria toda de novo. Então diante disso seu Hermenegildo pensou um bocadinho, e começou a contar pra todo mundo que em outros lugares tinha umas escolas que não usavam vidro nem nada, e que dava bem certo, as crianças gostavam muito mais. E que de agora em diante ia ser assim: nada de vidro, cada um podia se esticar um bocadinho, não precisava ficar duro nem nada, e que a escola agora ia se chamar Escola Experimental.


Dona Demência, que apesar do nome não era louca nem nada, ainda disse timidamente:
_Mas seu Hermenegildo, Escola Experimental não é bem isso...
Seu Hermenegildo não se perturbou:
_Não tem importância.A gente começa experimentando isso.Depois a gente experimenta outras coisas...


E foi assim que na minha terra começaram a aparecer as Escolas Experimentais.
Depois aconteceram muitas coisas, que um dia eu ainda vou contar...
Por Ruth Rocha em "Este admirável Mundo Louco"

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