domingo, 25 de novembro de 2012

Solução de conflitos em sala-de-aula: caminhos e descaminhos

Imagine a situação abaixo:

" A professora Helena pede para que os alunos organizem a fila em ordem alfabética pois já é a hora do lanche. Todos os alunos de, aproximadamente 5 anos de idade, pegam as suas lancheiras e começam a organizar a fila. 

Nesse momento Lucas e Marcos começam a discutir para definirem seu lugar na fila. Marcos ainda não entende a ordem alfabética e insiste que vem antes de Lucas. Lucas sente-se irritado pois garante que vem antes de Marcos. A discussão continua, com os alunos cada vez mais irritados, até que Lucas empurra Marcos, que cai no chão, chorando muito.

A professora, nesse momento, intervem dizendo:

- Lucas peça desculpas para Marcos. Não quero que você empurre seus colegas. Marcos você vem depois de Lucas. Levante-se, não precisa chorar, não foi nada."

Lucas, nem olha para Marcos, e fala, bem baixinho: "Desculpa".

Então, a professora diz: "Não é assim. Dê um abraço em Marcos, todos devem ser amigos."

Os alunos se abraçam, com  as mãozinhas fechadas e  muito chateados. A fila segue para o refeitório. Lucas continua emburrado e Marcos vai choramingando"

Você já viveu alguma situação parecida em sua prática como educador?  Vamos refletir na forma como este conflito foi "solucionado"?

A professora Helena definiu o critério de organização da fila: a ordem alfabética. Não houve questionamento se todos os alunos compreendiam e dominavam este critério. Todos sabiam a letra inicial do seu nome e de seus colegas? Além disso, os alunos conseguiriam ordenar a si mesmo e a seus colegas segundo o critério estipulado? Haveria algum recurso em sala-de-aula que poderia ajudá-los nessa tarefa? 

Diante do conflito instaurado, a professora não permitiu que os alunos pensassem sobre o problema. Ela resolveu por eles: "Marcos você vem depois de Lucas"; "Lucas peça desculpas para seu colega". 

Marcos e Lucas estavam muito bravos um com o outro. A professora acabou não reconhecendo seus sentimentos "Lucas peça desculpas para Marcos(...)Não é assim. Dê um abraço em Marcos, todos devem ser amigos."; "Levante-se, não precisa chorar, não foi nada". Eles fizeram o que a professora propôs mas as desculpas e o abraço não contribuíram para que percebessem uma forma melhor de lidarem com suas emoções. Vejam: "Os alunos se abraçam, com  as mãozinhas fechadas e  muito chateados.A fila segue para o refeitório. Lucas continua emburrado e Marcos vai choramingando"

Os alunos ocuparam um lugar passivo na solução desse conflito e a professora direcionou todas as ações. Como estes alunos poderão iniciar um movimento de pensar sobre suas ações e ampliar seu repertório de estratégias de solução de conflitos? 

Em situações como esta, os educadores devem auxiliar os alunos a refletirem sobre suas ações e a identificarem seus sentimentos e emoções. Em primeiro lugar, ao lançar uma proposta os professores precisam verificar se todos tem condições de realizá-la ou informar recursos que podem auxiliá-los.  Os conflitos vão acontecer. Nesses momentos, é importante que os alunos tenham a oportunidade de verbalizarem seus pensamentos e emoções e perceberem as consequências de seus atos. 

No conflito relatado a professora poderia facilitar o diálogo dos envolvidos, intervindo de forma a colocar boas perguntas para Marcos e Lucas, tais como:

- Lucas porque você acha que vem antes de Marcos?
- Marcos qual a letra inicial de seu nome? Vejam no alfabeto: qual letra vem primeiro?
- Lucas como você estava se sentindo quando empurrou o seu colega?
- Marcos como você se sentiu ao ser empurrado?
- Vocês conseguem pensar em uma outra maneira que poderiam ter usado para resolver este problema?
- E agora, o que podemos fazer para reparar esta situação?

Caso a professora perceba que os alunos estão muito nervosos e que não conseguiriam dialogar, pode propor:

 "Marcos seu choro me mostra que você está muito chateado com essa situação. Poxa, você deve estar muito bravo por ter sido empurrado. Vou esperar você se acalmar e então conversaremos."

"Lucas percebo que você está furioso com seu colega Marcos. Ele ficou teimando com você e isso o deixou muito irritado.Vou esperar você se acalmar e então conversaremos."

Vale ressaltar que caso as crianças não consigam responder as perguntas a professora pode ajudar indicando caminhos e as ajudando a criarem repertórios de como resolver situações como esta.

Com uma intervenção nesse sentido, os alunos poderão operar sobre o problema e colaborar para que o conflito seja solucionado. Muitas vezes, nós, professores, centralizamos todo o trabalho na sala de aula. Lideramos as brincadeiras, os trabalhos em grupo, resolvemos todos os conflitos e, até mesmo, a hora em que cada aluno pode utilizar o banheiro. Diante dessa postura, tolhemos dos alunos a oportunidade de pensar e colaborar na sistematização dos conteúdos e na resolução dos conflitos.

Por Pati Ottoni

Dúvidas e sugestões: ideiaspedagogicas@hotmail.com




terça-feira, 23 de outubro de 2012

Seminário PROEPRE em ação

Oi Pessoal!

A dica do espaço FORME-SE é o  "PROEPRE em ação". O seminário será oferecido em 10 encontros e o custo é de apenas R$150,00.

As vagas são limitadas!

Confiram mais informações:


Clique aqui para saber mais sobre o PROEPRE.

Um abraço

Pati Ottoni

P.S: Estamos no SEGUNDO TURNO!!!! Votem no Ideias Pedagógicas para o Prêmio TOPBLOG2012! Basta clicar no selo do Prêmio na página do Ideias e votar. Obrigada =]

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Sua escola sabe para onde ir ou qualquer caminho serve?


- Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
- Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato.
- Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice.
- Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas - replicou o gato.

Lewis Carroll em "Alice no país das maravilhas"
Olá Pessoal!

Muitas escolas ainda estão pouco preocupadas em definir sua visão de mundo e de formação de pessoas. Não percebem a importância da elaboração coletiva de um Projeto Político Pedagógico que inspire e norteie suas práticas e tomadas de decisão.

O efeito colateral desse tipo de comportamento é que, por não saber aonde se quer chegar, optam pelos caminhos que "facilitam" o trabalho e que evitam os conflitos. Não há entendimento, enfrentamento e transformação de realidades, conforma-se com a reprodução de condutas espontaneístas ou ingênuas.

Quem são os prejudicados nesse cenário?
Os alunos? Também, mas não só.

Nós somos os perdedores, isto é, a sociedade como um todo, pois deixamos escapar a oportunidade de formar pessoas capazes de viver uma vida mais feliz e ser atuante na construção de um mundo melhor.

Refletindo sobre essas questões, escolhi um texto (que recebi esta semana da Profª Adriana Ramos) e que ilustra essas inquietações de maneira objetiva e vivida.

Pensem nesta ideia:


Mensagem de um diretor aos professores no 1º dia de aula
Querido Professor,
Sou sobrevivente de um campo de concentração.
Meus olhos chegaram a ver o que nenhum homem deveria contemplar.
Câmaras de gás construídas por engenheiros capazes e eficientes.
Crianças envenenadas por médicos experientes e conhecedores.
Recém-nascidos assassinados por enfermeiras bem treinadas.
Mulheres e crianças que foram mortas incineradas por jovens competentes egressos da escola secundária e da universidade.
Portanto, me mostro suspeito, cada vez que se fala sobre o significado da educação para o Homem.
Por isso, quero fazer-lhes o seguinte pedido: Ajudem seus alunos a tornarem-se seres humanos. Seus esforços não devem dirigir-se para formarem monstros de grande sabedoria, psicopatas competentes, homens instruídos e educados como Eichmann.
A leitura, a escrita e a aritmética são importantes somente quando podem servir para fazer com que nossas crianças se tornem mais humanas.
Extraído do livro "Maestro-Alumno: El ambiente emocional para el aprendizaje", de Haim Ginott. México: Editorial Pax, 1972

Um abraço

Pati Ottoni

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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

IDEIAS PEDAGÓGICAS: TOP100 Finalista no Prêmio TOPBLOG Brasil!!!!

Olá pessoal!

Ganhamos um presentão de "Dia dos Professores"!

Hoje vim agradecer a todas as pessoas que acreditaram no IDEIAS PEDAGÓGICAS e nos fizeram alcançar esta conquista!!!

É isso mesmo, o IDEIAS PEDAGÓGICAS está entre os 100 finalistas da categoria "Educação" do Prêmio TOPBLOG 2012.





Estou muito, muito feliz com esse resultado e devo agradecer, imensamente, a todas as pessoas que colaboraram para que esse objetivo se concretizasse.

Vamos em busca de voos maiores?

Estamos no segundo turno e para ficar entre os "TOP-TOP" do Brasil precisamos votar, novamente, e depois, passar pela avaliação do Juri Acadêmico.

Não esqueça de votar no IDEIAS PEDAGÓGICAS neste segundo turno!

Para isto basta clicar no selo do Prêmio aqui no blog ou acessar: http://www.topblog.com.br/2012/index.php?pg=busca&c_b=12171882

Você pode votar com todos os seus e-mails, perfil do Facebook e Twitter.

Obrigada por tornar o IDEIAS PEDAGÓGICAS um dos 100 melhores blog de educação do Brasil!!!

Um abraço

Pati Ottoni

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Criando Magia



O livro "Criando Magia" de Lee Cockrell, usualmente, não faz parte da lista de indicações de leitura por pedagogos e especialista em educação. Este livro está diretamente ligado à área da Administração de Empresas e Gestão de Pessoas. Entretanto, tenho a ousadia de indicá-lo para todos os educadores envolvidos em melhorar a qualidade do processo educativo nas escolas e organizações sociais.
Em "Criando Magia", Lee Cockrell conta sua trajetória como vice-presidente responsável pelas operações do Walt Disney World Resort. Ele revela as estratégias que utilizou e que contribuiu para que a Disney Resorts se tornasse uma das grandes referências mundiais em qualidade de atendimento.
 Acredito que todos os professores precisam desenvolver liderança e capacidade de gerenciamento. Além disso, penso que os gestores na escola devem procurar conhecer mais sobre a área da administração, assim poderão potencializar seus conhecimentos específicos em educação, através das ferramentas de gestão, para atingirem seus objetivos e melhorarem a qualidade do seu trabalho.

A partir dessa IDEIA, fiz uma releitura das estratégias propostas por Lee Cockrell, pensando no contexto escolar e na minha práxis como coordenadora pedagógica.

As 10 estratégias Disney como agente de mudança no contexto escolar:
Estratégia 1: Lembre-se que todos são importantes;
Todas as pessoas querem se sentir valor, considere o outro, seus sentimentos e pontos de vista. Uma equipe  de professores motivada e acolhida tem grandes chances de tornarem a sala de aula mais interessante e rica.

Estratégia 2: Quebre o molde;
Nada de planejar no primeiro ano de carreira docente e repetir outras duas décadas. Pesquise, invente, produza conhecimento e incentive seus alunos a deslumbrarem diferentes horizontes e perspectivas.

Estratégia 3: Faça da sua equipe sua marca registrada;
Gestores: conversem com a equipe de professores e busquem juntos soluções para o conflituoso cotidiano escolar. Professores: conversem com seus alunos e trilhe com eles uma caminhada de sucesso na construção do conhecimento.

Estratégia 4: Crie magia por meio da capacitação;
Nada de fiscais do ensino, nada de vigiar e punir ou de reuniões, meramente, informativas. Invista esforços em estudar, em conhecer sobre desenvolvimento humano e em reflexões sobre a própria prática. Pesquise, estude, FORME-SE! Construam o Projeto Político Pedagógico da instituição e tenham uma prática coerente com os princípios elencados na missão e visão do mundo que a equipe escolar construiu.

Estratégia 5: Elimine inconvenientes;
Não tenha uma postura defensiva, TODOS podem contribuir para a melhoria da qualidade de ensino, mesmo aqueles com críticas duras, ferrenhas e dificeis de escutar. Não entre em embates de egos, ouça e aproveite para questionar seu próprio ponto de vista. Procure respeitar o "tempo" de cada um, espere um momento em que todos estejam calmos para resolver um problema que seja grande demais.

Estratégia 6: Saiba a verdade;
Procure saber o que cada sujeito da comunidade escolar pensa e sugere para a sua escola. Ouça os elogios mas, também, as críticas. Procure melhorar e investir esforços, de verdade, na solução dos pontos críticos levantados. Para isso, construa confiança. Quando temos em que confiar e pedir ajuda não precisamos omitir informações e estabelecer relações superficiais. Podemos discutir os problemas, pouco preocupados em achar um culpado, focamos na solução e buscamos um caminho melhor.


Estratégia 7: Use combustível grátis: admiração, reconhecimento e encorajamento
Respeito é diferente de medo. Pense nisso! 
Todos precisamos de "feedbacks" sobre condutas que precisam melhorar, mas principalmente, retornos positivos para termos a certeza de que estamos no caminho certo. Por isso, descreva as ações que obtiveram sucesso, apontando os pontos fortes e valorizando as pessoas que a conduziram. 


Estratégia 8: Mantenha-se na dianteira;
Fique antenado com o mundo. Saiba o que está acontecendo no universo de seus alunos ou equipe e seja um mediador para ampliar os horizontes do grupo. Renove seus conhecimentos e aprenda com os outros.


Estratégia 9: Cuidado com aquilo que diz e faz;
Seja positivo, crie e fortaleça relações equilibradas e nada tensas. Pessoas que se sentem valorizadas e importantes estão mais disponíveis para o novo, para a colaboração e para a cooperação. Não esqueça que o que os professores/gestores dizem é muito legitimado pelas crianças ou pelo grupo, utilize as palavras como ferramenta de trabalho e como promoção das potencialidades humanas.


Estratégia 10: Desenvolva caráter
Procure ser a pessoa que você quer formar. Nossas ações e palavras são a mais potente ferramenta educativa. Seja o exemplo!


Vale ressaltar que não se trata de um releitura alienada que condiz com os preceitos capitalistas, baseados no lucro, na exploração do trabalho e no consumismo. Trata-se de aproveitar estratégias e ferramentas de um modelo de gestão para ser aplicado, a partir de um olhar crítico, em uma prática educativa que visa a transformação de realidades. A ideia é buscar a qualidade de gestão para o contexto escolar.

Espero que gostem desta IDEIA!

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Você é especial - Max Lucado

Olá Pessoal!

Puxa, fiquei um bom tempinho sem postar aqui, não é?

Hoje vim trazer um vídeo muito bonito que assisti em uma aula do meu curso de pós-graduação "Relações Interpessoais na escola e a construção da autonomia moral" (Recomendo!).

Foi uma professora muito especial que indicou: a Mariana!

Penso que este vídeo pode nos fazer refletir sobre nosso importante papel na vida dos alunos.




No final do vídeo há uma mensagem de cunho religioso que pode ser desconsiderada por quem assim desejar.

O vídeo foi produzido a partir do livro "Você é especial" escrito por Max Lucado e ilustrado por Sérgio Martinez.

O texto na íntegra você encontra aqui: Blog Transmissores da Alegria

Você pode comprar o livro neste link: Editora Hagnos

Um abraço

Pati Ottoni

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Quando a escola é de vidro...



Naquele tempo eu até que achava natural que as coisas fossem daquele jeito. Eu nem desconfiava que existissem lugares muito diferentes... Eu ia para a escola todos os dias de manhã e quando chegava, logo, logo, eu tinha que me meter no vidro.É, no vidro!

Cada menino ou menina tinha um vidro e o vidro não dependia do tamanho de cada um, não! O vidro dependia da classe em que a gente estudava. Se você estava no primeiro ano ganhava um vidro de um tamanho. Se você fosse do segundo ano seu vidro era um pouquinho maior. E assim, os vidros iam crescendo à medida que você ia passando de ano. Se não passasse de ano, era um horror.Você tinha que usar o mesmo vidro do ano passado!!! Coubesse ou não coubesse. Aliás nunca ninguém se preocupou em saber se a gente cabia nos vidros.


E pra falar a verdade, ninguém cabia direito.Uns eram muito gordos, outros eram muito grandes, uns eram pequenos e ficavam afundados no vidro, nem assim era confortável.
Os muitos altos de repente se esticavam e as tampas dos vidros saltavam longe, às vezes até batiam no professor.Ele ficava louco da vida e atarraxava a tampa com força, que era pra não sair mais.


A gente não escutava direito o que os professores diziam, os professores não entendiam o que a gente falava...


As meninas ganhavam uns vidros menores que os meninos. Ninguém queria saber se elas estavam crescendo depressa, se não cabiam nos vidros, se respiravam direito...


A gente só podia respirar direito na hora do recreio ou na aula de educação física. Mas aí a gente já estava desesperado, de tanto ficar preso e começava a correr, a gritar, a bater uns nos outros. As meninas, coitadas, nem tiravam os vidros no recreio.E na aula de Educação Física elas ficavam atrapalhadas, não estavam acostumadas a ficarem livres, não tinham jeito nenhum para Educação Física.


Dizem, nem sei se é verdade, que muitas meninas usavam vidros até em casa. E alguns meninos também. Estes eram os mais tristes de todos. Nunca sabiam inventar brincadeiras, não davam risada á toa, uma tristeza!


Se a gente reclamava? Alguns reclamavam. Então os grandes diziam que sempre tinha sido assim; ia ser assim o resto da vida. A minha professora dizia que ela sempre tinha usado vidro, até para dormir, por isso é que ela tinha boa postura.


Uma vez um colega meu disse pra professora que existem lugares onde as escolas não usam vidro nenhum, e as crianças podem crescer á vontade. Então a professora respondeu que era mentira.Que isso era conversa de comunistas.Ou até coisa pior...


Tinha menino que tinha até que sair da escola porque não havia jeito de se acomodar nos vidros.E tinha uns que mesmo quando saiam dos vidros ficavam do mesmo jeitinho, meio encolhidos, como se estivessem tão acostumados que estranhavam sair dos vidros.
Mas uma vez veio para a minha escola um menino, que parece que era favelado, carente, essas coisas que as pessoas dizem pra não dizer que era pobre.


Ai não tinha vidro pra botar esse menino. Então os professores acharam que não fazia mal não, já que ele não pagava a escola mesmo... Então o Firuli, ele se chamava Firuli, começou a assistir as aulas sem estar dentro do vidro.


Engraçado é que o Firuli desenhava melhor que qualquer um, o Firuli respondia perguntas mais depressa que os outros, o Firuli era muito mais engraçado... Os professores não gostavam nada disso...Afinal, o Firuli podia ser um mau exemplo pra nós...

Nós morríamos de inveja dele, que ficava no bem-bom, de perna esticada, quando queria ele espreguiçava, e até meio que gozava a cara da gente que vivia preso. Então um dia um menino da minha classe falou que também não ia entrar no vidro.Dona Demência ficou furiosa, deu um coque nele e ele acabou tendo que se meter no vidro, como qualquer um.


Mas no dia seguinte duas meninas resolveram que não iam entrar no vidro também:
_Se Firuli pode por que é que nós não podemos?


Mas dona Demência não era sopa.Deu um croque em cada uma, e lá se foram elas, cada uma pro seu vidro... Já no outro dia a coisa tinha engrossado. 
Já tinha oito meninos que não queriam saber de entrar nos vidros.

Dona Demência perdeu a paciência e mandou chamar seu Hermenegildo que era o diretor lá da escola. Hermenegildo chegou muito desconfiado: Aposto que essa rebelião foi fomentada pelo Firuli.È um perigo esse tipo de gente aqui na escola.Um perigo! A gente não sabia o que queria dizer fomentada, mas entendeu muito bem que ele estava falando mal do Firuli.
Seu Hermenegildo não conversou mais.Começou pegar os meninos um por um e enfiar á força dentro dos vidros.


Mas nós estávamos loucos para sair também, e para cada um que ele conseguia enfiar dentro do vidro, já tinha dois fora. E todo mundo começou a correr do seu Hermenegildo, que era para ele não pegar a gente, e na correria começamos a derrubar os vidros. E quebramos um vidro, depois quebramos outro e outro mais e dona Demência já estava na janela gritando:
_SOCORRO! VÂNDALOS! BÁRBAROS! 
(Pra ela bárbaro era xingação). Chamem os Bombeiros, o Exército da Salvação, a Polícia Feminina...

Os professores das outras classes mandaram cada um, um aluno para ver o que estava acontecendo. E quando os alunos voltaram e contaram a farra que estava na 6ª série todo mundo ficou assanhado e começou a sair dos vidros. Na pressa de sair começaram a esbarrar uns nos outros e os vidros começaram a cair e a quebrar.


Foi um custo botar ordem na escola e o diretor achou melhor mandar todo mundo pra casa, que era pra pensar num castigo bem grande, pro dia seguinte. Então eles descobriram que a maior parte dos vidros estava quebrada e que ia ficar muito caro comprar aquela vidraria toda de novo. Então diante disso seu Hermenegildo pensou um bocadinho, e começou a contar pra todo mundo que em outros lugares tinha umas escolas que não usavam vidro nem nada, e que dava bem certo, as crianças gostavam muito mais. E que de agora em diante ia ser assim: nada de vidro, cada um podia se esticar um bocadinho, não precisava ficar duro nem nada, e que a escola agora ia se chamar Escola Experimental.


Dona Demência, que apesar do nome não era louca nem nada, ainda disse timidamente:
_Mas seu Hermenegildo, Escola Experimental não é bem isso...
Seu Hermenegildo não se perturbou:
_Não tem importância.A gente começa experimentando isso.Depois a gente experimenta outras coisas...


E foi assim que na minha terra começaram a aparecer as Escolas Experimentais.
Depois aconteceram muitas coisas, que um dia eu ainda vou contar...
Por Ruth Rocha em "Este admirável Mundo Louco"

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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Ideia de Filme: O fabuloso destino de Amelie Poulain

Gente, esse filme é SIMPLESMENTE encantador.

Trata das coisas simples da vida e de como elas podem mudar nosso caminho.

Com doçura e delicadeza, o enredo narra a história de Amelie Poulain. A garota trabalha como garçonete em um bairro de Paris e leva uma vida pacata. Até o dia em que encontra um tesouro no banheiro de sua casa. Trata-se de uma caixinha de guardados que o antigo morador escondeu quando criança. Amelie decide procurar o dono do tesouro e ao encontrá-lo, fica emocionada em ver sua alegria ao retomar o objeto. A srta. Poulain percebe a importância desse pequeno gesto e essa compreensão muda seu destino!

O filme é francês, dirigido por Jean-Pierre Jeunet e estreado no ano de 2002.

Inspirada neste filme, elaborei junto a equipe de educadores de uma ONG, um projeto chamado "O grande espetáculo da vida cotidiana"
O objetivo do projeto era propor uma reflexão sobre o lugar que ocupamos no mundo. O enfoque foi a valorização das coisas simples da vida, como um resgate das gentilezas, da sensibilização com o outro e com o meio no qual estamos inseridos. 
O assunto foi dividido em  cinco “capítulos” distribuídos durante o ano de atividades. Cada capítulo abordou um tema em que foi observado valores morais no cotidiano dos alunos:
Capítulo 1: Identidade
A reflexão era baseada na pergunta "Quem eu sou?", resgatando os valores e atitudes "Viver e Sonhar"

Capítulo 2: Cultura Familiar
A reflexão era baseada na pergunta "De onde eu vim?", resgatando os valores e atitudes "Ouvir e Dedicar"

Capítulo 3: Escola
A reflexão era baseada na pergunta "Para onde eu vou?", resgatando os valores e atitudes "Construir e Socializar"

Capítulo 4: Política
A reflexão era baseada na pergunta "Qual lugar eu ocupo?", resgatando os valores e atitudes "Questionar e Colaborar"

Capítulo 5: Mundo Natural
A reflexão era baseada na pergunta "Como eu posso preservar?", resgatando os valores e atitudes "Respeitar e Cuidar"

Quem quiser receber mais detalhes do projeto, mande um e-mail para ideiaspedagogicas@hotmail.com.



Apreciem esta Ideia!!!


Um abraço
 Por Pati Ottoni

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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Acesse: Pais e Cia

Olá Pessoal!

Hoje a dica do Acesse! vai, principalmente, para as mamães e os papais.

O Blog Pais e Cia é feito, com muito carinho e qualidade, para discutir questões que vocês precisam lidar na linda e árdua tarefa de educar os filhos.

Fonte: Blog Pais e Cia
"Sabemos o quanto é difícil educar crianças e adolescentes! Sabemos o quanto não fomos formados para isso e o quanto nos custa cada não, cada sim que pronunciamos aos nossos filhos! Afinal, filhos não vêm com bula, como os remédios!  " - Blog  Pais e Cia

Pais e Cia foi elaborado pelo GEPEM (Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação Moral) um grupo de especialistas que estudam o desenvolvimento moral a luz da psicologia genética de Jean Piaget e seus precursores e que também são mães e pais.

Lá vocês encontram textos para consulta, dicas de publicações para pais e mães, novidades da área, projetos e até um "Canto da ajuda" em que podem perguntar, sugerir e relatar experiências...

Vale a pena conferir!!!

Acesse:http://paiscia.blogspot.com.br/

Um abraço

Pati Ottoni

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sábado, 18 de agosto de 2012

Ideias Pedagógicas e Revista Las.Los: As crianças também se apaixonam

A pedido da Revista Las.Los, respondi a uma entrevista com o tema "Namoro na Infância".
Então, a editoria da revista montou uma matéria sobre o tema para publicar.

Queria ressaltar que fiquei muito feliz com o convite!!! Foi a primeira vez que escrevi para uma mídia impressa. Elaborar as respostas, rever o texto foi um processo muito bacana, de reflexão sobre minhas concepções sobre desenvolvimento humano, educação e aprendizagem. Depois de tudo pronto, pedi a opinião de pessoas nas quais confio como profissionais especialistas e como seres humanos. Por isso, agradeço e mando um abraço especial para os amigos Marcela Barbosa, Paulo Valle, Simone, minha família, meu noivo Gu Borim e todos aqueles que me ajudaram!!! E, principalmente, a Equipe da Revista Las.Los que me deu esta oportunidade. Muito Obrigada!

A revista tem distribuição gratuita e é feita de maneira comprometida e com muita qualidade. Acessem o site: http://www.revistalaslos.com.br e confiram outras reportagens!!!

Espero que vocês gostem!

Crianças também se apaixonam

Durante um jantar tranquilo em casa, com a família reunida, um dos filhos informa: “pai, mãe, estou namorando uma amiga da escola”. Se esse filho tem acima de 18 anos, não há porque se surpreender tanto. Mas qual seria a reação dos pais quando essa informação vem de uma criança com apenas 10 anos?
A partir de certa idade, a qual a criança vai amadurecendo, é natural que eles passem a notar que o outro pode despertar alguns sentimentos, seja a raiva, o carinho, a amizade ou o ciúme. Desse modo, o namoro pode não passar de brincar juntos e pegar na mão. “O que existe é um carinho especial de uma criança em relação à outra. Geralmente, é um amiguinho com o qual brinca, se diverte e existe uma admiração recíproca”, garante Patrícia Ottoni, autora do blog Ideias Pedagógicas e coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental I.
Além disso, as crianças passam se identificar como um indivíduo diferente dos outros. Percebem que há diferenças entre meninos e meninas e que há maior afinidade com algumas pessoas do que com outras. “Essa descoberta gera dúvidas e também curiosidades. Como tendem a representar no imaginário papéis do mundo adulto, é natural que nomeiem, em alguns casos, essa relação de maior proximidade, como namoro.”, complementa Patrícia.


CONTOS DE FADAS
Super-heróis têm namoradas. Princesas sempre buscam o príncipe encantado. Até as histórias clássicas da literatura infantil estão repletas de relacionamentos com um final feliz. “Isso mostra que este é um tema presente no mundo das crianças e que pode influenciar o vocabulário sobre namoro no cotidiano infantil, mas não significa que essa brincadeira tem a mesma conotação de namoro como no universo adulto”, orienta Patrícia Ottoni.

E AGORA?
Quando uma criança anuncia que está namorando, o ideal é conter as reações impulsivas, seja de indignação ou de orgulho, e não polemizar o assunto.
Perguntar para a própria criança o que significa namorar é um bom começo. Depois de ouvir atentamente a resposta, a pedagoga, Patrícia Ottoni, recomenda que os pais ajam naturalmente, conversando com seus pequenos e impondo os limites que consideram saudáveis. “Os pais e os professores, adultos da relação, têm a missão de orientar as crianças e adolescentes sobre suas emoções,  seus sentimentos e suas condutas. Uma boa forma de cumprir esta tarefa é dar espaço para que eles possam demonstrar o que sentem, ajudá-los a nomear suas emoções e a verbalizar os pensamentos e desejos. Este é um caminho que contribui para a formação de pessoas que saibam lidar com os próprios sentimentos e evitam ações impulsivas para resolver os seus conflitos.” orienta.

INFÂNCIA DE ONTEM: INFÂNCIA DE HOJE?
É preciso aceitar: os tempos são outros. Se antes as crianças eram mais livres para brincar na rua sob os olhos vigilantes dos adultos, os vizinhos eram pessoas conhecidas e as principais ferramentas de difusão de informações eram a TV, o rádio, os jornais e as revistas, hoje essa cena mudou de configuração.
A questão é que, segundo a coordenadora pedagógica, Patrícia Ottoni, houve uma mudança na maneira como a sociedade se organiza. “Hoje em dia, as famílias não são, predominantemente, nucleares (constituídas por mãe, pai e filhos), possuem diferentes configurações (filhos que moram só com a mãe ou só com o pai, com os avós e tios, filhos de casais homossexuais). Nesses novos arranjos familiares, cada integrante desempenha o papel que lhe é mais propício, pouco fundamentado nas questões de gênero. Também vivemos a era das tecnologias da informação: a comunicação entre as pessoas ocorre em alta velocidade e o acesso à informação é quase que ilimitado. As crianças e os adolescentes passam maior tempo sozinhos e com acesso facilitado a essas tecnologias, ocupando seu tempo, principalmente,  nas redes sociais e com os games virtuais. Por isso, crescem vislumbrando diferentes horizontes, possibilidades, oportunidades, conflitos e problemas”, afirma Patrícia Ottoni.
Além disso, as crianças de hoje  recebem estímulos que seus pais e avós não vivenciaram na mesma idade. As mídias veiculam ícones que refletem os valores de beleza e de sensualidade. As letras das músicas, as novelas, os seriados, os filmes e a própria moda que permeiam o universo das crianças e dos adolescentes enobrecem e incentivam o erotismo e a sexualidade. “Diante desse contexto, é necessário que haja uma orientação constante dos adultos responsáveis por essas crianças e isso só é possível quando há possibilidade de diálogo entre eles” conclui a pedagoga Patrícia Ottoni.

 Por Laís Vedovato
Acessem a matéria no site da revista Las.Los (http://www.revistalaslos.com.br/infantil/criancas-tambem-se-apaixonam/)


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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Aprender a aprender: Fatores que influenciam a aprendizagem

Como vimos no post "Por uma ação educativa intencional"  precisamos ter clareza de qual modelo epistemológico está baseada a nossa prática formativa. Entretanto, apenas conhecer estes modelos não é suficiente para melhorar a qualidade da relação de ensino-aprendizagem.

É preciso mais... É necessário conhecer os processos de aprendizagem e os fatores que os influenciam.

Fator Hereditariedade
Gostaria de discutir um pouquinho sobre esta IDEIA. Esta reflexão partiu de uma aula sobre "Desenvolvimento Cognitivo" que participei no curso de pós graduação "Relações Interpessoais na escola e a construção da autonomia moral" (já foi indicada aqui no IDEIAS PEDAGÓGICAS, na sessão Forme-se, de fevereiro de 2012)


Para começar, vale ressaltar, que essas IDEIAS baseiam-se na epistemologia genética, tendo como referência principal Jean Piaget, que busca desvendar os aspectos fundamentais na formação do conhecimento. Esta teoria está relacionada ao modelo pedagógico relacional.

Segundo esta abordagem, existem alguns fatores que são influenciadores no processo de construção de conhecimento, mas não são determinantes, tais como:

Fator: Experiência Física
- Hereditariedade: são as condições genéticas ou biológicas que o indivíduo dispõe ou não e que influenciam no seu desenvolvimento maturacional.
- Experiência física: ação sobre o objeto, o “fazer mecânico”.
- Transmissão Social: são as informações construídas e historicamente acumuladas que passam de geração para geração.

Esses fatores não são suficientes para garantir a aprendizagem pois dependem das relações que o sujeito é capaz de estabelecer ou não com o objeto de conhecimento.

Um exemplo que ilustra esta contribuição da Epistemologia Genética é a questão do processo de alfabetização.  
Fator: Transmissão Social

Vamos imaginar uma criança em processo de alfabetização. Esta criança tem conhecimentos provindos da :
- hereditariedade ( capacidade de ver, mãos que permitem a prensão do lápis); 
- da experiência física ( manuseio dos livros e outros suportes de leitura, interação física com todos os recursos que estão em um mundo letrado, manuseio de um alfabeto móvel); 
- da transmissão social (informação de que usamos letras para representar os sons, que a escrita é uma forma de comunicação). 

Partindo desses conhecimentos, a criança até chegar na escrita ortográfica das palavras precisa estabelecer relações e atribuir significados ao sistema de escrita. Deste modo, em um momento deste processo, ela pode escrever P R D para representar através da escrita o objeto PAREDE e ser suficiente para ela, mas não para a escrita convencional da palavra. Isto é, apesar de possuir os conhecimentos que a hereditariedade, a experiência física e a transmissão social lhe possibilitaram, estes não foram suficientes para que a criança entendesse o sistema de escrita nos termos convencionais. Esta compreensão só ocorrerá quando o objeto de conhecimento (sistema de escrita) lhe oferecer resistência a sua hipótese ( utilizar apenas uma letra para representar a sílaba) fazendo com que ela entre em desequilíbrio com o conhecimento que já tem sobre a escrita. Deste modo ela poderá assimilar, acomodar e adaptar este novo conhecimento (usamos mais de uma letra para representar os sons e formar as palavras= PAREDE). 
Fonte: www.cantinhocriativodalu.blogspot.com


Ao processo de entrar em conflito com suas hipóteses prévias, assimilar novas informações, modificar seus esquemas, estabelecendo um novo comportamento, a epistemologia genética denomina equilibração.

Portanto, podemos concluir que a hereditariedade, a experiência física e a transmissão social são fatores importantes e influenciadores, mas o que determina a formação do conhecimento é o processo de equilibração.

Por  fim, gostaria de salientar a importância de oferecermos em nossa sala-de-aula diferentes oportunidades para que o aluno aja sobre o que se quer conhecer/aprender e para que reflita sobre suas ações, estabelecendo novas relações e coordenando novas ações e comportamentos.

Por Pati Ottoni e (algumas colegas que contribuíram para esta IDEIA) Adriana Calefi, Ana Cláudia, Ariane e Célia Sulato.

IDEIAS interessantes para visitar (peguei as imagens desses links):



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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Desconstruindo a Violência na Escola

Olá Pessoal!


No dia 15 de agosto teremos mais um "Fórum Desafios do Magistério" na UNICAMP. O tema da vez é "Desconstruindo a Violência na Escola:  O que a realidade da escola básica traz à universidade e o que a universidade tem a contribuir para com a escola básica" , tendo como um dos organizadores o GEPEM (Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral) da FE-UNICAMP.


Confiram algumas das apresentações:


- As dificuldades do cotidiano escolar e o  bullying: seriam todas violências?         
   Profa. Dra. Luciene Regina Paulino Tognetta


- Escola e família: o olhar para o conflito como oportunidade de desenvolvimento                                                                                         
   Profa. Dra. Telma Pileggi Vinha 


- A superação da indisciplina e da violência na escola pela gestão participativa     
   Profa. Dra. Ana Maria Falcão de Aragão


O tema que será discutido é uma grande preocupação dos educadores. Como falar sobre ele focando na busca por soluções ao invés das lamentações e afirmações fatalistas? Participar desse fórum pode ser um excelente caminho!


Clique aqui e confira a programação completa.

Para mais informações:
www.gepem.org
http://foruns.bc.unicamp.br/foruns/


Fica a dica!


Por Pati Ottoni



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domingo, 5 de agosto de 2012

Ideias Pedagógicas no TOPBLOG2012

O Ideias Pedagógicas está participando do prêmio TOP BLOG 2012.

Para ajudar o Ideias nesta conquista, basta clicar no selo do TOPBLOG 2012 e fazer seu voto valer!

Ajude a divulgar essa IDEIA PEDAGÓGICA!

Um abraço!!!!

Pati Ottoni

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Ideia de Leitura: Guilherme Augusto Araujo Fernandes


"Que criança adorável que me traz essas coisas maravilhosas", pensou D. Antônia.
E então ela começou a se lembrar.
Mem Fox em   Guilherme Augusto Araujo Fernandes

O que é Memória? 
Como você explicaria para seus alunos ou seus filhos?
Esta é a pergunta que esta história nos traz. Um tema delicado e importante para ser trabalhado com nossas crianças.

Guilherme era um menino que morava ao lado de um asilo e era muito amigo de D. Antônia. Aconteceu que um dia D. Antônia perdeu a memória... Agora Guilherme Augusto Araujo Fernandes, tinha duas tarefas: Descobrir o que é memória e Recuperar a memória perdida de D. Antônia!

Além de nos remeter ao tema Memória, o enredo abre muitas possibilidades para o trabalho  sobre o distanciamento e as possibilidades de aproximação entre gerações.

Que tal um projeto sobre a história da cidade contada através das memórias dos munícipes idosos? Pode ser os avós, os vizinhos velhinhos ou porque não uma visita ao asilo da cidade para ouvir e registrar essas histórias???

A história foi escrita por Mem Fox e as ilustrações são de Julie Vivas.

O livro pode ser encontrado aqui:
Estante Virtual por R$ 25,90
Submarino por R$39,90

Espero tenham gostado!!!

Abraço apertado

Pati Ottoni

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terça-feira, 24 de julho de 2012

O Cinema e a Educação do olhar

Professores e educadores como temos utilizado o cinema na escola? Temos utilizado o cinema na escola?
Ora, sabemos que muitos educadores (inclusive eu) julgam difícil  inserir esta forma de arte no cotidiano da escola, porém sabemos também que seria um excelente recurso.

Hoje, vim divulgar uma oportunidade muito, muito, muito bacana para conhecermos mais sobre este tema: "Cinema e Educação". Trata-se do II Encontro "Cinema, História e Educação: o cinema e a educação do olhar" organizado pelo colega e Prof. Ms. Ricardo Pereira (super recomendo).

Confiram a programação:


Educar pelo cinema ou utilizar o cinema no processo escolar é ensinar a ver diferente. É educar o olhar. É decifrar os enigmas da modernidade na moldura do espaço imagético. Consumidores de imagens em geral são espectadores passivos. Na realidade, são consumidos pelas imagens. Aprender a ver cinema é realizar esse rito de passagem do espectador passivo para o espectador crítico. Mas, apesar de ser uma arte centenária e muitas vezes ao longo da história ter sido pensado como linguagem educativa, o cinema ainda tem alguns problemas para entrar na escola. A maioria das experiências ainda se prende ao conteúdo das histórias, sem discutir os outros aspectos que compõem a experiência do cinema. Nesta nossa proposta desejamos atingir não apenas o professor interessado em iniciar-se no uso do cinema na sala de aula, mas também aquele que deseja incrementar sua didática, incorporando filmes como algo mais do que ‘ilustração de aulas e conteúdos’. 

Objetivos:
- Iniciar professores na História e na Linguagem do Cinema com o objetivo final de utilizá-lo em sala de aula seja como recurso didático seja como fonte de conhecimento;
- traçar um panorama histórico do Cinema e sua recepção;
- apresentar os elementos básicos da Linguagem Cinematográfica;
- estimular a utilização do cinema como ferramenta pedagógica;
- discutir a função pedagógica do cinema a partir dos próprios filmes;
- apresentar cineastas e obras;

Conteúdo Programático:
- As Origens do Cinema: os Primeiros Filmes
- As Vanguardas dos Anos 1920 (expressionismo alemão, montagem soviética, impressionismo francês, surrealismo)
- A Transição do Cinema Mudo para o Sonoro
- Hollywood e a Indústria do Cinema
- O Cinema do Pós-Guerra (neo-realismo italiano, nouvelle vague, cinema novo)
- O Cinema Hoje
- Técnicas e linguagens: do roteiro à montagem
- Exercícios de Análise Fílmica

Público-alvo:
Destinado a Estudantes de Pedagogia, Pedagogos, Professores dos Ensinos Fundamental e Médio e demais interessados na relação entre o Cinema e a Educação.

Dinâmica do Curso:
Estão previstos 12 (doze) encontros dedicados à História do Cinema, à Linguagem Cinematográfica e à Análise de Filmes através de aulas expositivas, dinâmicas e exibições de filmes. Os encontros acontecerão uma vez por semana (às segundas-feiras), das 19h às 22h30. Os concluintes terão direito a certificados.

Quando: de 13 de Agosto a 26 de Novembro.

Onde:
Faculdade de Educação/Unicamp
Auditório “Prof. Maurício Tragtenberg” (Biblioteca da FE)
Av. Bertrand Russell, 801
Cidade Universitária ‘Zeferino Vaz’
Campinas/SP

As inscrição ainda não estão abertas e as vagas são limitadas, apenas 25, por isso fiquem atentos.

Inscrições:

Não percam essa oportunidade de formação!!!

Um abraço
Pati Ottoni



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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Ideia de filme: Peixe Grande e suas histórias maravilhosas

"se um peixe-dourado é mantido num pequeno aquário ou compartimento, ele não crescerá. E que com mais espaço, este ser pode dobrar, triplicar e até mesmo quadruplicar seu tamanho" - Peixe Grande e suas histórias maravilhosas

Cena do filme Peixe Grande e suas histórias maravilhosas


Peixe Grande e suas histórias maravilhosas é um filme com direção de Tim Burton (adoro!) estreado em 2003. O enredo foi baseado na história de Daniel Wallace. 

Eduard Bloom nasce em uma pequena cidade na Carolina do Sul e por conta de uma doença, passou um longo período de cama na infância. Durante este tempo leu toda a Enciclopédia Mundial. 

Quando jovem percebeu que, tal qual um peixe-dourado, precisava de mais espaço: a cidadezinha na Carolina do Sul estava pequena para suas ambições. Assim Eduard parte para uma viagem ao redor do mundo, em sua jornada vive histórias incríveis.

Cena do filme Peixe Grande e suas histórias maravilhosas
Mais tarde, Ed Bloom se torna um contador de histórias narrando o que viveu, mistura fantasia e realidade, pois para ele o que importa é a maneira como as coisas são contadas. Porém, seu filho Will se sente magoado porque acredita ter ouvido sempre histórias maravilhosas de seu pai, porém pouco reais.

Quando Eduard Bloom adoece sua esposa liga para Will que segue ao encontro do pai, disposto a entender a sua real história de vida. Este encontro rende lindas lições e muita emoção!!!

É uma história surpreendente e, realmente, maravilhosa. 

Cena do filme Peixe Grande e suas histórias maravilhosas
Afinal: O que tem de real nos fatos que contamos? O que tem de imaginário em nossas lembranças? Como contamos as histórias de nossas vidas?

Vale a pena apreciar!!!

Um abraço

Pati Ottoni



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domingo, 15 de julho de 2012

Atendimento educativo à infância e à juventude no terceiro setor e a função do coordenador educacional

Olá pessoal!

Este foi o texto publicado no Ciranda3, blog da queridíssima e minha amiga do coração Tássia Siqueira, na semana passada. Espero que gostem!!!
O blog Ciranda3 já foi dica do Acesse! e é de muita qualidade, passem por lá: www.ciranda3.blogspot.com


Atendimento educativo à infância e à juventude no terceiro setor e a função do coordenador educacional



Podemos considerar as ONG’s (Organização Não Governamental) como uma organização civil que presta serviços humitários e de interesse público. Essas entidades surgem a partir de uma demanda social que não foi totalmente suprida pelo Estado.
As ONG’s constituem o terceiro setor, ou seja, não são empresas privadas, nem vinculadas ao governo. Possuem autonomia em relação a sua gestão, podem angariar recursos financeiros das iniciativas privadas e do próprio governo e oferecem um serviço público e necessário.
As instituições do terceiro setor têm consolidado sua atuação em várias áreas: saúde, meio ambiente, geração de renda, difusão cultural etc. Entretanto, gostaria de apresentar alguns tópicos em relação às organizações que operam no campo da educação, especialmente, na formação de crianças, adolescentes e jovens e à função do coordenador educacional neste contexto.
Inicialmente as organizações sociais que atendiam ao público infanto-juvenil precisavam acolher a uma demanda  de mães que necessitavam de trabalhar e não podiam atuar integralmente na criação dos filhos, ou, de famílias que não tinham condições para assumirem a educação de seus pequenos.
Assim, o trabalho  nessas entidades estava focado na ocupação do tempo dos infantes (muitas vezes com atividades relacionadas à educação religiosa, ao reforço escolar, ao artesanato, à música, às  atividades esportivas)  e nos cuidados de higiene e de saúde. As pessoas que colaboravam neste atendimento, em sua maioria, eram cuidadores ou especialistas do esporte, da arte ou da saúde, sem uma formação específica na área da educação
Podemos denominar este tipo de atendimento como assistencialismo. Em uma prática assistencialista o foco principal é o cuidar. Por ser uma ação espontaneísta não existe uma intenção definida em relação à formação dos sujeitos.
Nessa estrutura organizacional todos estão voltados diretamente para o público atendido. Não há uma clareza de funções e objetivos a serem alcançados, trabalha-se para resolver os problemas que surgem no decorrer do dia-a-dia, sem a preocupação de entender as causas e consequências desses problemas.
Nesse contexto, a função do  coordenador educacional envolve as tarefas de manter a disciplina das crianças e adolescentes, fazer reuniões com pais, organizar eventos comemorativos e supervisionar o trabalho dos educadores.
Portanto, não há a necessidade de uma estrutura de gestão das ações e das pessoas, ou seja, não se planeja e executa projetos a fim de visualizar metas e conquistas. Não há a preocupação em avaliar o caminho percorrido, enfim, não há reflexão sobre a prática.
Um dos efeitos colaterais desse tipo de atendimento é que o assistencialismo não contribui para promover a transformação de realidades do público atendido. Por se tratar de um auxílio repetitivo não permite que o indivíduo mude a sua condição de carente e nem tome consciência de suas potencialidades.
Ainda hoje, podemos encontrar muitas entidades que mantêm uma prática assistencialista de atendimento, caracterizada por uma filantropia momentânea, ou seja, sem um acompanhamento processual.
Entretanto, os tempos são outros. Os acontecimentos do século XX e XXI e a era das tecnologias da informação trouxeram uma nova organização da vida, com outras possibilidades, problemas e demandas. Podemos, de forma superficial e rápida, citar:
·         As mulheres conquistaram seu espaço no mercado de trabalho e se dedicam cada vez menos a manutenção do lar;
·         Há uma reorganização dos arranjos familiares: existem configurações diferentes de famílias, em que cada um ocupa o papel que lhe é mais propício, pouco fundamentado nas questões de gênero;
·         A comunicação entre as pessoas ocorre em alta velocidade e o acesso à informação é ilimitado, mas isso não significa informação de qualidade, nem construção de conhecimento;
·         O consumismo exacerbado impera e como consequência os recursos naturais estão se esgotando;
·         A escola, importante instituição de regulação social, vive um processo de precarização do ensino e de formação dos alunos.
·         As crianças e os adolescentes passam maior tempo sozinhos e com acesso facilitado às tecnologias da informação, ocupando seu tempo nas redes sociais virtuais e com os games.
Diante dessa sociedade, podemos concluir que a principal demanda destes tempos  é a formação de pessoas  capazes de viver em um mundo instável sem se tornarem volúveis, que sejam capazes  pensar sobre suas ações, interagir consigo mesmo e com o outro, selecionar informações construindo conhecimento e tomar decisões fundamentadas em princípios éticos
Perante esse cenário, em relação às organizações sociais, percebemos que um atendimento assistencialista não conseguiria suprir as demandas que a sociedade, da forma como está organizada, nos impõe.
As ONG’s precisam reestruturar suas ações. Isso significa romper com um ciclo de repetição de atividades e iniciar um novo ciclo de planejamento, desenvolvimento, monitoramento e avaliação de ações. A reflexão sobre a própria prática é uma postura essencial nesse processo:
·         Quem somos?
·         Que visão de mundo temos?
·         Quais sujeitos queremos formar?
·         Onde queremos chegar?
·         Quais são os valores que buscamos praticar?
·         Qual é o impacto que as nossas ações produzem nos sujeitos e na comunidade?
A partir desses questionamentos elucida-se a intencionalidade das atividades, isto é, pelo o quê e por que a organização trabalha. Desse modo, as tomadas de decisão passam a ser baseadas no conceito de pessoa e de sociedade que se busca construir, ou seja, a partir de um projeto político.
Nesse sentido, o coordenador educacional assume um novo escopo de função. Sua incumbência é alinhar a equipe de educadores com a missão, visão e valores organizacionais, propor formações para seus colaboradores de acordo com os objetivos estratégicos da instituição e organizar, monitorar, avaliar ações dentro do projeto político. Seu foco direto são os educadores e, indiretamente, o público atendido.
Para que esta função seja realizada com qualidade é recomendado que seja desempenhada por um profissional que estuda o campo da educação e do terceiro setor e que tenha facilidade em motivar e desenvolver pessoas. Em concomitância e em parceria a este trabalho, outras áreas vêm agregar valor como a assistência social, a psicologia, a gestão organizacional, a captação de recursos etc, cada profissional contribuindo, a partir do seu enfoque, para a construção de uma entidade coesa, profissional e qualificada.
Este movimento envolve uma mudança de paradigma, pois é preciso abrir mão de antigas práticas e crenças e vislumbrar novos horizontes. Isso só se torna possível quando nos dispomos a possibilitar um ambiente organizacional reflexivo, cooperativo (não de autoritarismo), de construção (não de transmissão) de saber, primeiro entre os gestores e colaboradores, e depois, entre atendidos. Afinal, como diria Mahatma Gandhi “Você tem que ser o espelho da mudança que está propondo. Se eu quero mudar o mundo, tenho que começar por mim.”


Por Patricia Ottoni